O indispensável empreendedorismo feminino no jornalismo brasileiro

Hoje eu estava no caixa do supermercado e um homem estava imensamente irritado porque seu cartão não funcionava. Uma moça, que trabalha como empacotadora, encontrou a solução. Ela falou que o problema era que o cartão era muito fino e para resolver o problema era só inseri-lo na máquina junto com um pedaço de papel. Dito e feito. Funcionou perfeitamente.

Fiquei impressionado e elogiei a perspicácia dela. Então ela me responde: “Quando era pequena, meu pai dizia que eu devia ter nascido homem, porque eu sou muito inteligente”. Essa situação ilustra bem como o machismo é insidioso no Brasil.

Por isso, é de se louvar que um dos seguimentos de startups jornalísticas que mais cresce e ganha destaque atualmente é o dos portais voltados para o empoderamento das mulheres e fortalecimento do feminismo. Aqui destaco quatro deles.

Think Olga

Trata-se de um dos portais de valorização da mulher mais estabelecidos. Além de produzir conteúdo de qualidade em diversas formas e plataformas, elas ainda são responsáveis por capitanear campanhas muito bem sucedidas. Uma delas foi a #MeuPrimeiroAssédio. Uma iniciativa bem impactante, que incentiva mulheres a relatarem vezes em que foram assediadas.

Com a consolidação do canal, elas criaram uma nova empresa, a Think Eva, que trabalha com marketing de conteúdo, educação e estratégia para ajudar marcas a refletirem os verdadeiros desejos das mulheres.

Equipe responsável: Juliana de Faria e Luíse Bello

Não me Khalo

O Não me Khalo é um coletivo feminista, que teve uma ascensão meteórica. Elas contam que apenas 8 meses depois de criarem uma página no Facebook, já contavam com 150 mil curtidas. Hoje elas beiram 1 milhão. Além disso, expandiram sua atuação para outras redes, como Twitter, Youtube, Tumblr e Instagram. Com o crescimento da comunidade em volta do grupo, elas criaram o site.

Elas também coordenaram uma mega mobilização nas redes sociais: #MeuAmigoSecreto. A campanha teve como objetivo expor colegas, familiares e conhecidos machistas.

Equipe responsável: Bruna Leão Rangel, Thaysa Malaquias, Paola Barioni, Gabriela Moura e Bruna de Lara.

Dibradoras

O Dibradoras surgiu porque suas criadoras sentiam falta de uma cobertura esportiva que incluísse as mulheres. Elas também produzem conteúdo multiplataforma. Além do site, estão no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram. Também conduzem um podcast semanal na rádio Central3.

Elas colaboram ainda com o portal EspnW, portal criado pela rede de esportes do com conteúdo exclusivamente feminino.

Equipe responsável: Angélica Souza , Júlia Vergueiro, Nayara Perone, Renata Mendonça e Roberta Cardoso.

Cada Uma

O Cada Uma é o caçula dentre os empreendimentos listados aqui. Ele ainda está em versão beta. Trata-se do projeto da jornalista Ligia Guimarães. O objetivo do canal é entrevistar mulheres para que elas falem suas vidas, seus desejos e medos.

Em um post aqui no Medium, ela menciona uma situação que retrata bem o atual contexto no qual estão inseridas as mulheres brasileiras e que a incentivou a criar seu projeto. Ligia conta que, quando se faz uma pesquisa pela hashtag #woman no Twitter, os primeiros resultados a aparecerem são #womanleader (líderes mulheres) #womaninbusiness (mulheres nos negócios), #womankind (mulheres em geral) entre outras.

Já se a hashtag for #mulher, o rol de resultados é bem menos abonador: #MulherNua, #MulherTemDeSerGostasa e #MulherPelada. Ou seja, o que não falta por aqui é esteriótipo e objetificação.

Por isso, torço profundamente para que o Cada Uma encontre um modelo de negócios sustentável e prospere, pois o Brasil precisa e muito desse canal e dos demais citados aqui para se tornar uma nação mais evoluída, respeitosa e amigável para todos seus cidadãos, independente de sexo ou gênero. Precisamos urgentemente de um país onde uma mulher inteligente seja apenas admirada e não comparada com um homem.

Publicado em: https://trendr.com.br/o-indispens%C3%A1vel-empreendedorismo-feminino-no-jornalismo-brasileiro-4b5e174eb762#.jkbeh5lyp

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