Porque ainda faz sentido o 8 de março?

Colaboração com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos.

“Tá chegando março, mês da mulher. Mês de ganhar rosa na saída do metrô e continuar apanhando em casa. De ganhar chocolate do plano de saúde e continuar sendo maltratada pelo ginecologista ou retalhada pelo obstetra. De receber recado piegas em fanpages de agências de publicidade e continuar tendo o corpo exposto pra vender cerveja. De ganhar parabéns no elevador e continuar sendo piada entre colegas de Tecnologia da Informação, Engenharia e outras profissões ditas masculinas. Ah, o dia da mulher… dia que ninguém procura saber por que surgiu e todos resumem a mera distribuição de brindes estereotipados”
Gabriela Moura (24/02/15)
Até quando o texto acima fará sentido na nossa sociedade? 
“(…) continuar apanhando em casa (…)” pareceu exagero pra você? Tomara fosse. Só no mês de janeiro desse ano, no Estado de São Paulo, tivemos 8 homicídios de mulheres, mais 28 tentativas de homicídio, 5010 lesões corporais, 33 maus tratos, 5405 registros de ameaças e 83 estupros (dessas, 50 eram vulneráveis). Isso porque esses altos números são oficiais, da Secretaria de Segurança Pública de SP, imagina pra quanto iriam esses índices caso todos as ocorrências fossem registrados.
Essa terrível realidade de violência contra a mulher também é fato em Santos. Em 2013, tivemos 2 assassinatos, 687 registros de lesão corporal e 53 estupros registrados na Delegacia de Defesa da Mulher da cidade.
“(…) maltratada pelo ginecologista ou retalhada pelo obstetra (…)” não fez sentido para você? Segundo pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo,  uma em cada quatro mulheres foi vítima de violência obstétrica durante o parto no Brasil.
Mulher tratada como objeto para vender cerveja e outros produtos é a ponta do Iceberg do problema. “O monopólio dos meios de comunicação no país compromete a divulgação de outros pontos de vista que não seja os dos setores majoritários, normalmente conservadores e repetidores de estereótipos que hegemonizam uma visão social de mundo e diminuem as lutas dos movimentos sociais organizados, inclusive o das mulheres”, essa é só uma reflexão inicial que a psicóloga Rachel Moreno desenvolve no livro “A imagem da mulher na mídia”.
O que dizer então das diferenças no mundo do trabalho? Até hoje o rendimento médio mensal das mulheres no Brasil é equivalente a 70% do dos homens, isso para exercer exatamente o mesmo trabalho. A exploração da força de trabalho atinge as mulheres de forma particular, com mais pressão, assédio moral, assédio sexual e menores salários.
A história do Dia Internacional das Mulheres Trabalhadores
Ano passado explicamos as origens do 8 de Março, esse ano temos a oportunidade de conhecer a mesma história através dos quadrinhos. Os sites Fictícia e Petiscodisponibilizarão no dia 07/03, gratuitamente, a História em Quadrinhos “Pão & Rosas”, escrita pelo santista Hector Lima e desenhada por Mario Cau.
Ensejamos a todas que o dia seja de reflexão e que desta nasça a vontade e a firmeza para que em um futuro próximo as mulheres não sejam mais vítimasde violência e discriminação.

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