O que uma negra em um programa de grande audiência nos ensinou sobre a evolução da humanidade

Angélica Ramos é uma das participantes do Big Brother Brasil 15. Ela tem 33 anos, é mãe de duas crianças e auxiliar de enfermagem.

A edição desse ano do programa já começou chamando atenção por apresentar mais participantes negros, coisa rara nos anos anteriores. A tática do programa é fazer você se divertir com as interações humanas lá dentro, sejam casos de amor ou brigas. A briga pode ser por um pote de doce de leite, um gosto musical ou um voto pela saída do coleguinha problemático. E ai o público escolhe quem agrada e quem desagrada.

Angélica aparentemente desagrada muita gente. E então as pessoas resolveram que era hora de demonstrar que ela não é muito querida. O problema foi a forma que demonstraram isso:

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Não adianta falar que as pessoas que postaram isso o fazem porque são “baixas” ou qualquer eufemismo do tipo. São criminosas. E por que o são?

Sejamos francos, o racismo no Brasil é bem tolerado. Ninguém questiona o fato de que a maioria das crianças no farol é negra. Todos ignoram que a raiz do trabalho doméstico no Brasil é o trabalho escravo. Não é nada difícil encontrar mensagens violentas contra estudantes cotistas ou bolsistas negros do PROUNI.

"Lugar de negro macaco é na senzala, não na faculdade"

“Lugar de negro macaco é na senzala, não na faculdade” – Banheiro da Uninove

Uma mulher negra em um programa de grande audiência tem servido para desmascarar ainda mais a grande farsa que é a imagem de democracia racial que nós vendemos pra fora. Isso nos mostra que não somos tão evoluídos quanto pensamos. Sabe aqueles cem mil reais no banco? Eles compram um carro lindo pra gente passear na Av. Faria Lima, e a renda de vinte mil pagam os melhores colégios para filhos de grandes empresários não precisarem dividir uma sala de aula com o filho da empregada. Mas o que os cem mil não compram é o entendimento de que a Lei Áurea não foi suficiente. Basta dar um search no Twitter em dia de paredão para compreender o por quê.

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